Primeiramente: este esboço tem como fundamento a filosofia racional, não se baseia em princípios religiosos.
O ser humano nasce em um mundo em que não pediu para nascer. E a grande maioria destes seres humanos adoram viver. Vou além, acredito que todos gostam de viver. Não só por uma questão de preferencia, mas a vontade de sobrevivência embutida em nós pela natureza nos força a no mínimo respirar. Por mais que você diga que odeia a vida e tenta se sufocar com as mãos, algo além não permite que o faça.
Na infância, adolescência e início da maturidade somos educados pela nossa família, nossos pais, pelas escolas, universidades e faculdades. Neste meio tempo conhecemos amigos de todas as idades, colegas e primos que nos influenciam. É bem provável que aos vinte anos, um pouco menos ou um pouco mais, o ser humano possui uma certa formação. Sabe o que quer, as vezes não muito mas sabe. É um ser completo a grosso modo. É digno de nota, e bebo agora na fonte de Paulo Freire, que o homem se constrói sempre e seu destino é aprender até o fim.
Existe na cultura o conceito de estar bem, para meus contemporâneos estar bem significa: ter um bom salário, um carro e uma família. Parece simples, mas não é. Dependendo da classe social que você nasce suas chances diminuem ou aumentam. Na vida a pessoa terá que tomar certas decisões que dependem dela e da situação na qual se encontra. Parece que não, mas na maioria das vezes refletimos bem antes de tomar uma grande decisão na vida como trabalhar em um empresa ou se casar.
Sinceramente, é bem mais provável que um menino no morro quando vê um traficante se dar bem com motos novas e dinheiro no bolso se espelhe mais nele do que o trabalhador ao lado que se esforça para ganhar o pão e tem um salário de miséria. E realmente não importa a vida curta do traficante, com seu dinheiro ele pode transar com as garotas de programa que quiser e comprar o carro da moda. Sexo, poder, e o melhor: poder de compra. Com isso você vai as nuvens e se levar um tiro na cabeça não tem importância, pelos menos curtiu um pouco: o que o Zé Mané trabalhador ao lado não conseguiu se matando em trinta anos.
Mas a coisa não é assim também, a ética do bom viver está inclusa em qualquer classe social e muitos são as que a seguem. Mas este caminho requer um esforço a mais, e uma boa parte não quer e não vê o porque.
São vítimas da situação? Sim. Você nasce em um mundo onde as regras são diferentes para cada classe social e quando quer realmente se dar bem terá que fazer maracutaias na maioria das vezes. O indivíduo nasce em uma família de bêbados e drogados, passa fome, vê o pessoal do tráfico comprar aquelas coisas que a televisão diz que vão transformá-lo no cara e não pode dizer que foi enganado? É lógico que foi. Sua educação foi péssima, teve os piores professores, não teve uma educação física decente: fechar os olhos para isso é ser um cego voluntário.
Certo, então não foram eles o culpados, foi a sociedade. Sim e não. A sociedade, e nesta eu me incluo, tem uma boa parcela de culpa nisso. Primeiro porque não sabe exigir seus direitos e segundo porque não sabe votar e terceiro, infelizmente, não tem muita opção para quem votar. E não, a sociedade não tem toda culpa. Porque? Todos nós, independente de onde nascemos, temos acesso a leis básicas como não matar, não furtar, não aporrinhar o próximo etc... Colocando de lado a escala do subjetivo é mister dizer que todo homem saudável tem noção do que é certo ou errado quando esta evidente.
Numa palavra: somos em parte vítimas do sistema mas também somos culpados pelas nossas ações porque, é evidente, não somos robôs. Na medida que a vida passa tomamos decisões certas e erradas, muitas vezes é óbvio que estamos fazendo uma coisa errada e outras não. Muitas vezes fazemos as coisas erradas tendo a plena certeza que são erradas e as vezes não. Em suma: seria um peso muito grande levarmos a culpa de tudo mas também seria uma injustiça colocar toda culpa nos outros e no sistema.
Chorar as vezes é um ato patético, porém os golpes do mundo externo são contundentes e, na maioria das vezes, injustos.

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