O que é o horror senão o eco primitivo do nosso instinto animalesco aprisionado em nós desde o início dos tempos?
Esta face tão complexa como um caleidoscópio nos é revelada de várias formas nas quais sua eterna eloquência é desconcertante. O primeiro grito de horror que damos é no nascimento. Confortáveis no aconchego do ventre, mau esperamos que comida, carinho, calor, serão abruptamente cortados para nos tornarmos indivíduo. Consegue perceber? As trevas outrora uma benção são cortadas pela luz intensa do hospital. Fiati lux: faça-se luz, e houve luz. (Genesis.)
A arte nos oferece várias formas de horror, principalmente o gênero hollywoodiano repleto de clichês e retórica datada. Geralmente o horror é evocado através de seres ocultos, homens ou mulheres sádicas, etc... Todavia creio que o maior horror esta na guerra. É na guerra que o homem demonstra ser ainda o animal primitivo que é. Apocalypse Now: the horror.... Ou talvez em uma guerra mais civilizatória em Conrad:Coração das Trevas: the horror...
De modo que é na guerra que o homem vê as atrocidades se concretizarem. Vê, seus companheiros serem dilacerados, seus pais serem mortos, suas mulheres serem estupradas e seus inimigos serem esquartejados. O pior de tudo: aconteceu, acontece e vai acontecer. Até o fim do homem? Não sei. Será o fim do homem o ultimo horror? Não sei. Mas espero que o homem não acabe. Este filho de Prometeu merece sim alcançar o céu que tanto almeja não obstante as suas atrocidades.
O sangue que explode de nossas veias, os cadáveres em putrefação, nossos intestinos cheios de dejetos, as peles arrancadas, nós todos destrinchados como galinhas, nossos pescoços sendo cortados na veia principal que jorra aquele líquido vermelho vivo...Ha! Tudo isso não é o verdadeiro horror, o horror esta na maldade de quem faz. É o prazer satânico de imolar a vítima. Arrancar sua moral, sua vontade de viver e finalmente matá-la como um acidente de processo. A história do D.O.P.S esta repleta destes casos.
É verdade, nosso povo é mestre do horror há muito tempo. Em Casa Grande e Senzala, Giberto Freire nos conta sobre uma ciumenta dona de casa que, ao ver seu marido se deslumbrar pelos olhos negros de uma escrava, lhe dá estes mesmos olhos de presente em um fino prato de prata no jantar.

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